Imprimir Email Criado em 22-03-2017

O ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, defendeu, na cidade do Huambo, a necessidade de se assegurar o bom funcionamento dos equipamentos existentes durante toda a sua vida útil programada e, se possível, prolongá-la, ao mesmo tempo que se deve aumentar a rotação desses activos.

O governante salientou que, em função de actualmente, existirem maiores dificuldades em fazer novos investimentos públicos, seja para novos projectos, seja para aquisição de equipamentos, a solução é a manutenção dos autocarros, comboios, embarcações ou aviões.

Desta forma, o ministro dos Transportes acredita que o sector estaria a prestar um melhor serviço às pessoas e às empresas e, simultaneamente, a melhorar a rentabilidade das empresas públicas do ramo.

Augusto da Silva Tomás salientou que é nesta linha de pensamento que, para além da manutenção, o sector adoptou o lema «Manutenção-Mobilidade-Progresso», por os três conceitos estarem intimamente relacionados.

O ministro referiu que a aplicação das metodologias e técnicas de manutenção antes referidas, ao permitirem manter os meios de transporte e as infra-estruturas em bom estado de funcionamento durante toda a sua vida útil sem paragens por avarias, asseguram a mobilidade das pessoas e mercadorias com carácter regular, gerando confiança nas empresas e nas pessoas.

Para isso, o responsável fala da necessidade de o transporte estar disponível nos horários previamente divulgados e, com isso, os criadores podem aumentar as suas produções industriais, agrícolas ou outras, os distribuidores de mercadorias celebrar contratos de entrega com os seus clientes a prazo certo.

Além desses, Augusto da Silva Tomás acredita que os investidores também tomam as suas decisões de localização dos investimentos, as agências de viagens desenham pacotes turísticos padronizados, as pessoas programam as suas viagens ou terem a certeza de que chegarão aos seus empregos, e, impulsionar todo um conjunto de actividades que geram o progresso da economia e o bem-estar da população.

O ministro considerou que, nos transportes, nada é pior do que a incerteza sobre o seu funcionamento regular, no dia e hora anunciados pelo transportador, quer na partida, quer na chegada.

“Se essa incerteza existir, toda a produção é afectada e as pessoas prejudicadas, travando o crescimento económico e limitando a diversificação da nossa economia”, referiu o governante.

O ministro realçou que o Executivo, durante a última década, fez um enorme esforço financeiro, secundado pelo empenhamento de muitas pessoas anónimas, para recuperar os transportes ferroviários, reabilitar os portos e os aeroportos, modernizar os transportes aéreos, relançar os serviços rodoviários e criar os carregadores marítimos de passageiros.

“Seria inaceitável a regressão destas realizações e actividades que custaram biliões de dólares, por incúria na manutenção dos equipamentos adquiridos e das infra-estruturas criadas ou reabilitadas”, disse o ministro.

Planos de manutenção

Por isso, o governante lançou um repto às empresas públicas do sector dos Transportes, para que actualizem ou elaborem, no mais curto prazo, o seu plano de manutenção de todos os equipamentos e infra-estruturas que lhes foram disponibilizadas pelo Estado.

Augusto da Silva Tomás falava durante o conselho consultivo do Ministério dos Transportes, que decorreu no mês Fevereiro, na província do Huambo, sob o tema «A Manutenção”, onde foram apresentadas comunicações sobre as estratégias e políticas de conservação dos quatro ramos do sector.

Durante a reunião houve uma ampla discussão e contribuição de todos os presentes, para que as acções do sector sejam melhor concebidas, coordenadas e executadas na base de uma verdadeira política nacional de manutenção de equipamentos e infra-estruturas dos transportes.

O ministro dos Transportes avançou que a intenção das autoridades é que “se compre menos, mas utilizemos melhor e de forma mais duradoura o que temos”.

Lembrou que, até, há bem pouco tempo, existia uma concepção “descartável” dos equipamentos e outros activos físicos que o país adquiria, desde um simples ar condicionado ou um semáforo, até grandes equipamentos de transporte, industriais ou imobiliários, estradas ou outras infra-estruturas pesadas de serviços às empresas e à população.

Disse que o país registou muitos prejuízos por causa do facto de se fazer uma aposta na compra, sem se ter em conta a necessidade da manutenção. “Esta mentalidade gerou perdas incalculáveis para o Estado, empresas e às pessoas, durante vários anos, pelos sobrecustos decorrentes da redução da vida útil desses activos físicos e pelo impacto na geração de lucros, impedindo o crescimento mais rápido e diversificado da economia”, lamentou.

Mudança de atitude

O ministro dos Transportes disse que os tempos actuais de crise económica e financeira chamam a atenção para o tema da manutenção e da gestão de activos fixos, uma vez que há impossibilidade de aquisição ou construção de novos activos, quando os existentes entram em inoperacionalidade precoce, por falta de manutenção regular.

Augusto da Silva Tomás avançou que a norma internacional sobre manutenção é represemtada por dois conceitos fundamentais, que se refere a manter ou repor um bem num estado de operacionalidade durante todo o seu ciclo previsto de vida, evitando assim, o investimento antecipado na aquisição de novos bens idênticos e de sobrecustos de funcionamento devido ao mau estado do mesmo.

A mesma norma enfatiza ainda que a manutenção não é apenas responsabilidade de um departamento de manutenção clássico, frequentemente em conflito com os sectores operacionais que pressionam a rápida reparação do bem, mas uma combinação de acções técnicas, administrativas e de gestão.

Assim, disse que actualmente esta actividade é envolta no conceito de gestão integrada da manutenção a nível organizativo, o que significa dominar várias áreas de acção, como gestão de pessoal, planeamento, engenharia das máquinas, equipamentos, meios de transporte e todos os bens físicos utilizados por uma empresa, lubrificação, calibração, administração de materiais, técnicas de manutenção, informática, entre outras. Fonte: cnc