Imprimir Criado em 23-05-2019

Director-geral do Conselho Nacional de Carregadores Fotografia: Alberto Pedro | Edições NovembroO Conselho Nacional de Carregadores (CNC) está a implantar quatro plataformas logísticas para viabilizar a mobilidade e as trocas comerciais com os países vizinhos, disse o director-geral dos serviços, Catarino Fontes Pereira, em declarações ao Jornal de Angola.

As plataformas são instaladas no município do Luau (Moxico), zona fronteiriça com a República De-mocrática do Congo (RDC), devido às transacções co-merciais com este país, no Lombe (Malanje), Soyo (Zai-re) e no Menongue (Cuando Cu-bango), apontou Catarino Fontes Pereira. 

Se tudo correr como planificado, a plataforma logística do Soyo é inaugurada ainda este ano, no fim de um processo de edificação iniciado há dois anos num espaço de 25 hectares, com as obras situadas a 25 por cento do previsto.
As obras em falta nesta empreitada estão ligadas à instalação dos sistemas de abastecimento de água e energia eléctrica, bem como o acesso do Porto do Soyo à plataforma logística, de acordo com o director-geral do CNC, que anunciou um plano de marketing posterior à conclusão da plataforma, para atrair potenciais operadores que possam beneficiar dessa importante infra-estrutura económica.  O CNC também procura atrair capitais, principalmente nos fóruns internacionais em que participa, para financiar o projecto de implantação das quatro plataformas logísticas, o que aconteceu em Dezembro, na 1ª Feira Inter-Africana, realizada no Cairo, Egipto, como num fórum internacional consagrado ao desenvolvimento de África em Roterdão, Holanda, revelou Catarino Fontes Pereira.

No final do próximo mês de Junho, adiantou, uma equipa do CNC participa na Expo-China, para contratar fundos privados para investir nas plataformas logísticas. “Pensamos que, até finais de 2022, poderemos ter um mínimo de duas a três plataformas em funcionamento”, anunciou, destacando a “boa receptividade” das instituições financiadoras, havendo mesmo negociações em curso com algumas.  Segundo Catarino Fontes Pereira, em termos gerais, o projecto de criação de uma plataforma nunca fica abaixo dos 100 milhões de dólares. “Não estamos a falar em projectos inferiores a 100 mi-lhões de dólares”, vincou o director-geral.

Modelo de gestão

Nas plataformas logísticas, explicou o director-geral do CNC, o Estado não será o gestor, optando pela instituição de parcerias público-privadas. “É a única forma de o Estado poder participar, mas as plataformas serão concessionadas para determinados períodos de tempo, nunca serão geridas pelo Estado”, adiantou.
O director-geral do CNC destacou o papel preponderante das plataformas logísticas em toda a cadeia produ-
tiva, a começar pelo escoamento dos produtos para os principais centros industriais e de consumo. “Hoje, os agricultores encontram enormes dificuldades para o escoamento dos seus produtos e a situação é extensiva aos comerciantes, empresários e exportadores”, disse para descrever o actual quadro das vias de comunicação do país.
“As plataformas logísticas são uma prática em todo o mundo: temos de ter pólos logísticos onde o agricultor deixa a sua produção para ser adquirida ou transformada”, referiu Catarino Fontes Pereira, acrescentando que essas infra-estruturas surgem como elo de ligação envolvendo os caminhos-de-ferro, para que os produtos cheguem ao consumidor a um preço acessível, ao contrario do que acontece com o transporte rodoviário.

O director-geral do CNC anunciou também que os serviços estão a procurar dinamizar o transporte marítimo, com a gestão e me-lhoria do frete de cabotagem de e para Angola, o que pode resultar em ganhos para o ambiente de negócios no país.  “O grupo técnico criado criado pelo Ministério dos Transportes continua a trabalhar para, futuramente, apresentar ao Executivo proposta concreta visando a melhoria do frete de cabotagem ou do negócio de cabotagem em Angola”, sublinhou, ressalvando que além da certificação das mercadorias, há preocupações com os valores cobrados pelos despachantes e o tempo para a emissão de uma carta de crédito, factores que também oneram o custo da mercadoria.
O CNC está a trabalhar na reestruturação interna, para que possa implementar algumas medidas alinhadas à melhoria do ambiente de negócios em Angola. “Não vale a pena nós reduzirmos as taxas, se no final, o produto chega ao consumidor com as mesmas dificuldades e valores altos, será um esforço em vão”, alertou.
Catarino Fontes Pereira considerou a isenção das taxas de exportação “uma grande oportunidade” para os empresários melhorarem a sua actividade e terem um produto competitivo no mercado internacional, dando como exemplo a madeira que, para sair do país, necessita de uma certificação do Instituto de Desenvolvimento Florestal (ID).
“É necessário que o valor desta certificação ou isenção também não encareça o produto final. Temos de ter a noção de que vamos melhorar o ambiente de negócios com estas medidas, pois se forem executadas isoladamente não têm o impacto desejado”, concluiu o director-geral do Conselho Nacional de Carregadores.

Fonte: Site Jornal de Angola